Comentário no Blog do Reinaldo Azevedo

Publicado em 15/04/2011

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Gostei e replico.

Caro Reinaldo, o que mais me deixa preocupado não são os fatos, mas a nossa passividade diante deles. Ensinaram-nos ao longo do tempo que democracia implica em diálogo, mas jamais nos disseram que implica também em sentar no quibe. Isso vem dos ‘nobres representantes da sociedade’, que fornecem o quibe mediante lautas refeições monetarizadas sem gordura vazelinizante. Eles não representam nada nem a si mesmos, pois não têm nada a representar diante daquele que só representa passivamente ser cidadão. A qualquer momento estarão na rua (não por deseleição, mas por terem atingido o patamar de idiotas inúteis a partir de então) e suas idéias e ideais, assim como massas e maçãs, no lixo da história junto com nossos descendentes: filhos e netos do vazio que deu lugar ao vácuo.

Já disseram que o mal se propaga no vácuo da verdade, e hoje não se distingue uma do outro. Calamo-nos com palavras vazias por sacrossanta subserviência e escrevemos nossa indignação aqui e ali, mas nada vai mudar por nossas letras em linhas maltraçadas, devido às quais ainda não temos armas do governo apontadas para nossas rélis cabeças, senão só as dos representantes governamentais encarcerados na liberdade judicial das ruas, que não nos pertencem mais. O que nos resta, então? O confronto cara a cara, antes que armas reais sejam apontadas para cabeças reais: as nossas.

Ninguém no país quer violência, mas a maior violência é a lei feita para frear a virtude que, presumem, trata-se de vilania premeditada contra os pobres, comprimidos sem remédio. De onde vem a lei? Dos homens? Não, vem da moral que habita os homens, mas de homens com moral. Diz Sto. Agostinho: “Lei injusta é lei nenhuma”, mas, para nós brasileiros, ainda que não exista lei nenhuma, ela já é aplicável ao caso futuro que se manifestará no presente sem fato concreto passado. Estamos fadados a cumprir o que não existe mas já é obrigatório. Resta-me, então, apelar para uma das alternativas:

Começaria pela terceira opção, prosseguindo para a segunda e, finalmente, à primeira, em sua plenitude RaulSeixascional: “Nós não vamos pagar nada”. Governos só entendem duas linguagens: a dos tomates e a dos impostos. Se a primeira falha, deixe de falar a segunda que ele começa a ouvir. Se não ouvir, vamos à ‘top of the tops’, a zerenta e zero: porrada, quebradeira e, como dizia o velho e saudoso Premê*: “Pontapé, soco no olho, cascudão, tudo em camera lenta; tem pouca gente que aguenta”.

O que faz um bandido armado desistir do crime? Outra pessoa mais bem armada que ele, claro. Então, o que faz retroceder um bando de bandidos armados com leis ilegais? Um bando de cidadãos honestos armados com paus, pedras, tomates e porretes que exigirão leis legitimamente feitas em favor deles e não dos que fazem as leis, sob pena de os legisladores nunca mais saberem o que são leis. Simples, mas ninguém faz. Medo de cadeia. Qual? A feita para os bandidos? Não, a dos próprios cidadãos honestos: a mente esvaziada de honra e paz, mas recheada de ostracismo e nem-te-ligo-mais. E daí? Solidão honesta é melhor do que a companhia de vigaristas, exceto para os mais vigaristas que os segundos.

Quando vamos começar a cogitar de uma verdadeira revolução cidadã baseada na legítima defesa daqueles que ainda não nasceram mas já estão fadados ao fracasso? Com meus netos, não vou permitir. Aguarde minhas cartas não-gramscianas do cárcere. Ah, quase ia me esquecendo – Srs. Pés de Alface: sejam homens, nem que seja só desta vez! O passado do futuro nos honra de antemão. Em suma: Vamo pro pau porque se ficá pior nóis sifu!

*Banda Paulistana Premeditando o Breque.

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